Uma experiência chamada Cabo Polônio - Rolê na América
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Uma experiência chamada Cabo Polônio

Para entender do que se trata Cabo Polônio, você precisa deixar de lado tudo o que sabe sobre o Uruguai. Sabe o doce de leite, a tradição de carnes, o mate, os pampas, a arquitetura em Montevideo e as praias geladas? Esqueça. Cabo Polônio é uma experiência imersiva no lado B do país. Esta outra face revela um Uruguai que valoriza as liberdades individuais, respeita as escolhas de cada pessoa, busca conviver em paz com o diferente e é surpreendentemente multi-cultural.

E a comunidade que vive em Cabo Polônio é o maior exemplo disso. São cerca de 40 famílias que vivem basicamente da pesca e do turismo, entre eles muitos jovens, convivendo em casas simples, coloridas, auto-suficientes em geração de energia (já que não há rede de energia elétrica!), sem cerca nem demarcação de território. Que, em meio a lobos marinhos, cães, gatos e uma beleza natural de cair o queixo, parece viver sem maiores ambições além de: viver.

Um local que, em poucas horas, te faz repensar coisas profundas na vida: será que estou dando valor às coisas certas? O que busco faz realmente sentido? O que é preciso para ser feliz?

Mas chega de reflexões. Vamos falar sobre como foi nossa aventura.

Cabo Polônio é uma vila num local bem inóspito e isolado entre dunas de areia, na qual se chega apenas pelo transporte de uma empresa. Você vai com seu carro até o ponto de partida, espera ali o próximo horário e vai com um grupo de pessoas.

Quando chegamos, descobrimos que o último havia partido há 10 minutos e que o próximo sairia dali três horas. Tínhamos levado café e bolachas, descobrimos que havia wi-fi grátis ali, então resolvemos esperar. Já estávamos há quase 4 dias sem internet, então foi realmente excelente ter 2 horas para mandar notícias para a família e atualizar as redes sociais do Rolê na América!

As horas de espera passaram voando. Enfim chegou nosso meio de transporte: uma mistura de caminhão com ônibus, dotado de privilegiados 8 lugares em sua parte superior, acima da cobertura. Obviamente, ali é que decidimos ir. Escolhemos o melhor lugar possível para sermos intensamente chacoalhados ao longo dos cerca de 10km de trilha no meio da areia. Até havia cinto de segurança – inútil, porém.

Caminhônibus, o meio de transporte até Cabo Polônio

Vista privilegiada

O trajeto é chacoalhante, a paisagem é interessante e, no fim das contas, achamos o translado  até a vila de Cabo Polônio uma das partes mais divertidas do passeio. Chegando lá, nos deparamos com a incrível paisagem daquele vilarejo: as ruazinhas de areia, estreitas, as várias casinhas coloridas, pintadas e decoradas; bares, hostels, restaurantes, vendas de artesanato.

Esta é a primeira vista de Cabo Polônio ao se chegar na praia

Um de seus muitos hostels, coloridos e aconchegantes

Ficamos encantados e positivamente muito surpresos!! Porém, estávamos ansiosos e animados pela tão famosa colônia de lobos marinhos. Assim que descemos do caminhônibus, um nativo local veio conversar com a gente e nos explicou que, para chegarmos até ela, poderíamos seguir pela praia e ir contornando a vila pelas pedras.

Foi o que fizemos. A vista da praia, com seus hostels e restaurantes charmosos e coladinhos na orla, é bem interessante. Tomamos o rumo das pedras e logo em seguida, à nossa direita, começou a se erguer sob nossas vistas o Faro – coisa mais querida, listradinho de vermelho e branco.

O Farol – não é uma graça?

De repente, olhamos em direção ao mar e vimos um dos bichos colocar a cabeça pra fora d’água. Olhamos para frente, nas pedras, e dois deles tomavam sol sobre uma delas. Subimos mais algumas pedras e… Tcharãm!

Achamos! A colônia de lobos marinhos

Dezenas deles amontoados! Nos acomodamos sob uma sombra, sentados nas pedras o mais perto possível, e ficamos observando aquela “comunidade” de lobos marinhos. Alguns brigando entre si, um maiorzão com pinta de macho alfa se deslocando entre os demais com ares de superioridade, outros apenas deitados curtindo o sol. É fantástico de se ver.

Fizemos o restante do caminho de volta para o “centro” e ficamos sentados na praça fazendo nosso lanche (umas bolachas e água que trouxemos do trailer) até que nosso transporte chegasse para nos levar de volta.

Achamos Cabo Polônio demais e voltaríamos com certeza! Em nossa opinião, é um passeio imperdível para quem está viajando pela região.

  • Maurício Ribeiro de Almeida

    olá, estou acompanhado a viagem de vocês também tenho um trailer, kG 520, e percebo que poucas pessoas fazem está viagem embarcado com carro puxando um trailer. A curiosidade é saber se estão encontrando dificuldade em rebocar o trailer nesta viagem, o carro está sendo econômico e assim as despesas. Estou curtindo muito as suas histórias, parabéns pela viagem. Abraços Mauricio e Josiane.

    • Nikolas Pacheco Müller

      Oi Maurício, tudo bem? Vou primeiro responder e depois explicar: sim, vale a pena! Mas toda forma de viajar é uma escolha, com ônus e bônus. Nós gostamos do trailer pois: não é difícil rebocar; temos muito conforto e autonomia para dormir em qualquer lugar (de postos de gasolina a estacionamentos na rua até campings com estrutura); depois que chegamos em nossos locais de camping, a gente desengata o reboque e tem o nosso carro pra ir para onde quisermos. O rendimento do carro não muda muito (fazemos de 8 a 9/ltro com trailer e 10 sem trailer – claro, a depender das condições externas que influenciam no consumo). Financeiramente vale muito a pena, pelo tanto que economizamos em estadia (com o conforto do trailer, não temos nenhuma necessidade de ficar em hotel/hostel, e muitas vezes ainda pernoitamos de graça com o mesmo conforto) e com alimentação (fazemos 99% de nossas refeições no trailer). Desvantagens: rebocar e manobrar dentro das cidades, principalmente se há muito movimento, exige paciência; pedágios e impostos, são gastos dobrados por serem dois veículos ao invés de um; limitações para trajetos off-road (só podemos fazê-los quando estamos somente com o carro). Acho que de uma forma geral é isso… Qualquer dúvida é só perguntar. Abraços!

      • Maurício Ribeiro de Almeida

        Obrigado pela atenção, estou curtindo muito a viagem de vocês, em relação do trailer tenho a mesma opinião, adoro o meu principalmente por me sentir em casa em todo lugar que vou. Fico feliz por vocês estou aguardando novos postagens, boa viagem e muitas alegrias para o casal.

      • Leandrota

        Parabéns pelo post, e pelo retorno, muito bem colocado. Estou me preparando para ter um trailer também, num futuro próximo. Pesquisando muito sobre trailerxMotorhome. Todos têm o ônus e bônus. Um motorhome ( 1 veículo ) , pode ser melhor na viagem, mas depende local, não consegue entrar no centro da cidade, supermercados, etc , já o carro sem trailer consegue, vejo isso com uma das principais vantagens dele. Offroad, ai precisa ter um hotorhome 4×4, mas com o mesmo problema que falei anteriormente, se contar o valor de ambos, ai fica ainda melhor o custo x benefício trailer x motorhome …. Vai da possibilidade e vontade de cada um. Super bacana seus post, parabéns !!! Sei que deve ser ruim acesso ao wifi, mas posta mais fotos, se possível !!! hehehe !!! Vão com Deus e ótimo passeio , grande Abraço !!! casal inspiração a nós aqui, em todos sentidos !!!