Com 15 km de viagem, nosso primeiro problema - Rolê na América
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Com 15 km de viagem, nosso primeiro problema

Enfim ele chegou! O dia em que sairíamos do ponto de partida oficial, a casa dos pais do Nikolas, em Dois Irmãos – RS.

A noite anterior foi difícil. A ansiedade só nos deixou dormir depois das duas da manhã. Acordamos cedo, tomamos café com a família e organizamos as coisas pra partida. Tudo com relativa calma. Ajeitamos o carro, pegamos o trailer, nos despedimos e fomos descendo a serra gaúcha com nossa casinha. O objetivo era ir até Tapes, deixar o carro na casa de um apoiador de um grupo de trailismo e ir visitar os avós do Nikolas em Cerro Grande do Sul no mesmo dia.

Ainda no carro, anotamos os primeiros dados da viagem: a data da partida (02/06/2017), o horário (12h), a quilometragem do carro. Rindo, comentamos quão fantástico era o fato de que nossa “profissão”, agora, era apenas viajar e fazer registros da viagem.
Inocentes… Hahaha

Pouco depois, começamos a escutar um barulho esquisito vindo da parte de trás do carro. Paramos num posto de gasolina para abastecer (nossa primeira parada oficial da viagem) e decidimos dar aquela olhadinha básica em tudo, inclusive no engate de reboque, de onde parecia vir o ruído.

Eu (Paula) estava crente que não era nada, que era coisa da nossa cabeça. Nikolas estendeu um tapete no chão e deitou debaixo do carro. Fiquei só esperando ele sair e confirmar que estava tudo bem.

Ele levantou, jogou o tapete do outro lado.
– Tá tudo bem?
Ele chacoalhou a cabeça:
– Não… Tem uma rachadura.
– Como assim?!

Como assim foi o que eu perguntei. Mas o que eu senti num primeiro momento foi: “C#@$%. Acabou a viagem. Rachou nosso reboque. Que fiasco, toda essa preparação pra não passarmos de 15 quilômetros!!”

 

Nikolas continuou explicando:
– Tem uma rachadura no chassi do carro.
Peguei o tapete, deitei também: lá estava ela. Desgraçada.

Tentei me acalmar. Encontraríamos uma solução. Daríamos um jeito. Mas não tínhamos dados suficientes para tomar uma decisão. Então… Procuramos pessoas com mais experiência no assunto que a gente.

Nikolas mandou fotos e explicou tudo, por whatsapp, para o primo dele, Gustavo, que trabalha com soldas industriais. Eu mandei whatsapp para o Ronald Ataulo, que é como um “padrinho” nosso quando o assunto é trailismo – ele faz isso há anos, e reboca um trailer Turiscar Diamante muito maior e mais difícil que o nosso, então sempre ouvimos a opinião dele.

Gustavo e Ronald responderam o mesmo: a rachadura era pequena, uma solda resolveria. Não era um risco imediato nem mesmo para continuar rebocando, pelo menos por um tempo. Mas talvez o problema de origem fosse uma fragilidade no chassi do carro, já que o trailer é leve e o engate de reboque é novo.

De todo modo, Gustavo nos falou pra levar o carro até onde ele trabalha para consertar. Conversando com o pessoal do posto, deixamos o trailer ali para não precisar rebocá-lo de novo morro acima. Então voltamos para Dois Irmãos, levamos o carro para soldar. Gustavo ainda colocou um reforço no local da rachadura. Novamente partimos – mas aí, já passava das 14h.

De volta para a estrada rumo a Tapes, procurávamos nos estabilizar e tranquilizar: acontece, que bom que foi perto, que bom que conseguimos resolver, vai dar tudo certo, seremos cuidadosos em monitorar, se acontecer de novo podemos resolver reforçado tudo de uma vez…

A tarde foi caindo. Pegamos congestionamento em Tapes. Fila… Tudo parado. Numa dessas, o carro parado na nossa frente nos faz sinal apontando para nosso carro. Mas era só o que faltava… Um caminhão passa na pista contrária e nos faz sinal de luz. Mas que foi agora?!
Quando o congestionamento nos deixou parados de novo, desci pra olhar: nossa placa estava solta, presa por só um parafuso.


Bom. Que é uma placa solta perto de um chassi rachado, né? Seguimos assim mesmo até surgir um posto onde amarramos ela com um elástico mesmo.

E a tarde caindo… E o sol se pondo. E a noite vindo…

Fim das contas: chegamos em Tapes quase 19h. Endereço do apoiador no GPS. E o GPS começa a nos levar por ruas estreitas e MUITO esburacadas. Pensa na aflição de quem havia acabado de soldar o chassi cada vez que o conjunto inteiro chacoalhava num buraco.

Chegamos na casa do sr. Mario cansados e ainda meio aflitos com toda situação. Depois ele nos contou que havia outro caminho bem mais tranquilo… Eita, GPS!

Quando chegamos lá, eu estava super aflita e me inclinei sob o carro para espiar o chassi. Enfiei a luz do celular e avistei uma ponta de rachadura, só não sabia se uma parte da mesma que havia escapado ou uma nova pertinho da anterior.

Mas não havia o que fazer. Decidimos descansar e discutir isso no dia seguinte.
Dali em diante, as coisas ficaram melhores: fomos incrivelmente bem recebidos, jantamos e tomamos um vinhozinho com o Mario e a Lu, conversamos, até cairmos mortos em nossa caminha no trailer às 22h.

Que dia, meus amigos. Que dia!
Aprendizados:
– SEMPRE checar com atenção todo conjunto antes de sair. E mesmo depois de sair, toda atenção do mundo aos barulhos, rangidos e alterações do carro.
– Dispensar a pressa! Virar a chavezinha do modo “vida normal” para o modo “vida viajante”. Não precisa chegar de noite numa cidade desconhecida. Anoiteceu? Nossa casa está aqui! É só parar e dormir.
– A cada erro que cometemos ou problema que temos, aprendemos cinquenta coisas novas.
– Somos principiantes. Só nos resta fechar os olhos e continuar indo, um dia depois do outro! Hahahahaha

  • Hu Del Son

    Kkkkk
    Quanta emoção!
    Resolveram os imprevistos, isso é o que importa! Pé na estrada negos! Voltem cheios de histórias!

    • Paula Camila Schmidlin

      kkkkkkkkkkk sim, sempre! Pode deixar 😀

  • Richard Edward Rautmann

    Demais a história e os aprendizados prima (não o ocorrido)… Continue escrevendo neste formato de história que fica super interessante! bjss e bom trecho de viagem

    • Paula Camila Schmidlin

      Que bom que gostou!! 😀 Muito obrigada, beijos

  • Veridiane Matos

    Adorei a história e o texto! Me senti junto com vcs! Mal haviam esquentado os motores, quanta adrenalina! Haha
    O bom é que perrengues sempre rendem boas histórias. Em breve meu esposo e eu também cairemos na estrada. Boa viagem pra vcs!

    • Paula Camila Schmidlin

      Felizes que tenha gostado, Veridiane!! Esse é o objetivo mesmo, levar vocês com a gente! E a adrenalina faz parte, né? hahaha.. Obrigada e boa sorte na viagem de vocês também. Abraços!

  • Fabiano Franz

    Parabéns pelo pé na estrada!
    Pessoal, vocês já tiveram oportunidade de testar a questão da autonomia do Apolo Trailer de vocês? Por exemplo, ficando em um local sem energia elétrica e água, quanto tempo ele proporciona de autonomia, com geladeira, banhos, etc? E chegaram a fazer algum upgrade na configuração dele, tipo bateria, painel solar, ou algo assim?
    Grato pessoal, abraço!

    • Paula Camila Schmidlin

      Opa, tudo bem, Fabiano? Então, já tivemos várias oportunidades para testar, tanto nessa viagem quanto em viagens anteriores! Pra começar, a questão d autonomia obviamente depende da economia de quem usa… O que notamos quanto à energia elétrica: graças às placas fotovoltaicas que mandamos instalar + bateria de 150A, temos total autonomia de energia elétrica. Para isso, temos de contar, é claro, com uns dias de sol, manter a geladeira no mínimo e maneirar no uso. Nessa conta, só vai! Quanto à água, com muito cuidado dura uns dois dias. E temos conosco mais dois galões de água extras. Abraços, qualquer outra dúvida estamos aí 😀

      • Fabiano Franz

        Joia, muito obrigado Paula! Nós estamos acompanhando bem de perto a viagem de vocês, porque também estamos planejando a nossa para o ano que vem e, assim como vocês, vamos usar um trailer ao invés de um 4×4 com barraca, camper ou algo assim (que me parece o mais comum entre os overlanders). Dá uma espiada aí no nosso projeto: http://6overlanders.com/.
        Então vão na frente abrindo caminho, que daqui a pouco a gente chega!
        Abraço pra vcs!

        • Paula Camila Schmidlin

          Muito legal o projeto!!! Qualquer dúvida que tiverem podem entrar em contato com a gente. Boa sorte no planejamento e preparação de vocês. E uma boa viagem em seguida! Ah! Uma página aqui do site​ que pode ser útil pra vocês: estamos listando todos os nossos campings e pernoites. Está ali em cima na aba “a viagem”. Também sugerimos o app ioverlander, não sei se vocês conhecem. Tem nos ajudado demais. É isso, ficamos​ à disposição. Abraços!

          • Fabiano Franz

            Perfeito, valeu Paula! Abraço!

  • Aníbal Ataides Barros Filho

    Estamos aqui de Jataí-GO viajando com vocês. Boa sorte a vocês!!! Continuem postando suas experiências.

    • Paula Camila Schmidlin

      Valeu, Aníbal! Felizes em ter vocês acompanhando. Pode deixar que postaremos sempre 😉

  • Ronald Ataulo

    Nikolas e Paula, eu ficarei sempre a disposição de vocês para o que precisarem. Boa sorte ao longo da viagem! Deus acompanhe!!!

    • Paula Camila Schmidlin

      Obrigada, Ronald!

  • Izabel Liberato

    Só li agora o post completo. JESUS MESERICÓRDEA. hahaha tenho certeza que dará tudo certo, tudo é um aprendizado! boa viagem miguxox.

    • Paula Camila Schmidlin

      Hahahahah sim! Sempre é aprendizado.. Obrigada ❤😍😘