Sábado infernal em um camping no paraíso - Rolê na América
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Sábado infernal em um camping no paraíso

Quem nos acompanha viu que, neste último final de semana, fomos acampar na Ponta do Papagaio, em Palhoça – fica entre a Praia do Sonho e a Praia da Pinheira. Nós demos uma pesquisada no Google, encontramos um camping (Camping do Sonho), pegamos boas referências, ligamos, vimos que tinha vaga e partimos no sábado bem cedinho.

CAPÍTULO 01 – É DUNA, É AREIA, É O FIM DO CAMINHO

Daí em diante, nosso sábado foi um perrengue atrás do outro. O primeiro é que o Google Maps nos mandou para o lugar errado. E o lugar onde ele nos mandou era um canto de ruas estreitas E de areia fofa. Impossível fazer a volta com carro e trailer.

– Cuidado, campistas! Este camping existe, mas não é nem perto de onde o Google indica.

Depois de informações furadas, fizemos a única coisa que poderíamos fazer: respiramos fundo e seguimos em frente, procurando o camping.

E não é que, alguns metros depois, a rua em que estávamos se transformou em praia? Isso mesmo: a rua passa entre algumas dunas, vira a esquerda e segue na faixa de areia da praia. E aquilo é, de fato, uma rua, com placas de trânsito e tudo.

E aí, calcule nosso desespero: rodando pela primeira vez com a tração nas 4 rodas, andando pela primeira vez na areia, rebocando um trailer, SEM SABER PARA ONDE ESTÁVAMOS INDO.

200m depois, um certo alívio: vimos de longe alguns trailers dentro de uma propriedade. Era o camping finalmente? Mais ou menos.

Chegamos lá e descobrimos que o local é um Estacionamento que, como tem bastante espaço, acaba recebendo de forma improvisada trailers, motorhomes e barracas. O senhor que nos atendeu, o dono, explicou logo que chegamos: eles não têm a estrutura de um camping, mas conseguem fornecer água e energia.

Olhamos pro caminho de volta e resolvemos ficar. O lugar era simplesmente maravilhoso! Gramado imenso com muitas árvores, sombra, e, imaginem só, uma saída para uma pequena praia, bem ali, de frente para o camping! “Que belo erro de trajeto a gente cometeu!”, pensamos.

 

– Exatamente aí que passamos o final de semana. 🙂

O lugar que estava livre para nosso trailer era bem ao lado do portão que dava acesso à praia. Instalamos o trailer, colocamos a cervejinha pra gelar, estabelecemos contato com os outros trailistas dali, vestimos nossas roupas de praia, e…

CAPÍTULO 2: CHUTANDO O PAU DA BARRACA

Aí chega um grupo de pessoas e estaciona vários carros bem ao lado do trailer, ou seja, de frente para a praia. OK. Aí, eles se esparramam tomando conta de 70% da praia com tendas, guarda-sóis, cadeiras e churrasqueira. OK. Aí, eles começam a assar o churrasco na praia. OK. Aí, eles tiram um amplificador de dentro de um dos carros e colocam no chão, virado um pouco para a praia e um pouco pra gente, e ligam o som no talo.

A gente ficou meio assim (precisava amplificador? precisava tomar conta da praia como se fosse deles?), mas ok… Faz parte. Segue a vida. Pegamos uma latinha de cerveja cada um e fomos passear. A esperança era pegar uma praia por tempo suficiente para retornar ao camping e a bagunça ter aliviado um pouco.

Gente… Que inocência. Quando voltamos,umas 4 horas depois, eles estavam bêbados, o nível da música tinha decaído muito (Tocando “Meu Pau Te Ama” – o hit escroto do verão) e o volume tinha aumentado ainda mais. Foi aí que a nossa paciência começou a cair, a cada minuto de música alta fazendo zumbir os tímpanos.

– Ali no canto, nossos amiguinhos. Sorte de vocês que foto não tem áudio.

Tomamos banho e começamos a fazer a janta. A música não parava. De repente, a paciência da Paulinha simplesmente chegou ao fim. Ela saiu do trailer e foi até onde estava o amplificador. Niko foi atrás. Um cara ali logo veio fazer a recepção.

– Cara, será que não dá pra baixar um pouco o volume? Já tá incomodando! – Falou a Paulinha, utilizando sua reserva de paciência.

– Claro, claro! – Disse ele, surpreendentemente, e correu para baixar o volume do carro.

Aliviados, pensamos “nossa, foi tão fácil”. Viramos as costas, saímos em direção ao trailer e então começamos a ouvir um outro cara xingando coisas absurdas. Aí a Paula reagiu da única forma que restava: chutando o pau da barraca (não literalmente).

“Eu perdi as estribeiras. O cara começou a bater boca comigo e diz o Nikolas que eu respondi umas coisas bem feias. Eu estava tão, mas tão furiosa, que pra ser sincera eu nem lembro direito o que falei. Nikolas conta que mandei o cara enfiar o amplificador em algum lugar não muito confortável de se enfiar um amplificador (queria eu que isso não fosse verdade…).”

Para encurtar a história, a confusão só acabou quando o dono do camping veio e mandou aqueles baderneiros embora, umas 17h.

Está bom de frustração pra um dia, certo?

CAPÍTULO 3: MAIS BARRACAS E MAIS BARRACOS

Eis que não mais que 30 min. depois de terem ido embora, chega outro grupo de pessoas e se instala ali. Ligaram uma música, mas beleza, num volume bem ok. Com respeito, sem baderna, civilizados.

Mas as pessoas, né? Elas vão bebendo, o volume vai aumentando e o tipo de música vai ficando cada vez pior. Mais uma vez, nós aguentamos por horas antes de falar alguma coisa (tipo mais umas 5 horas, mesmo). Só que ali pelas 22h, nós estávamos acabados.

Mais de uma vez fomos até os administradores do estaciocamping. Pedimos para intervirem. Eles nos davam toda a razão, iam até os baderneiros e pediam silêncio. Eles baixavam por 5 minutos, depois lá estavam tocando funk a todo volume de novo. Nesses intervalos, ficavam parados bem do lado trailer nos xingando em voz alta pra provocar, marcar território, posar de macho alpha, conquistar atestado de babaca, vai saber…

– A segunda manada de gente ruim.

Debatemos o que fazer, e concluímos que iríamos embora. Deixaríamos o trailer ali, iríamos pra casa (50km) e no dia seguinte a gente voltaria só pra buscar o trailer mesmo e pegar uma praia mais perto de casa, em Floripa.

Como os caras seguiam xingando a gente do lado de fora, a Paulinha levantou uma última vez para ir falar com o dono do camping. Ele ficou enfurecido e disse que ia mandar todo mundo embora, outra vez.

Enquanto a Paulinha foi lá, o Niko decidiu tentar estabelecer contato com aquelas formas de vida estranhas, compostas elementarmente de álcool e idiotice. Quando ele chegou dizendo “ok, então vamos conversar” os caras levaram um susto e baixaram a guarda. Que uma coisa é gritar indiretas. Outra é conversar cara a cara, né?

No fim, na base da conversa mesmo, os caras nos deram razão pelo horário (a regra do camping era: sem música depois das 22h, e isso já era quase 23h!) e pararam. Nem foi preciso mandar ninguém embora. Ufa!

CAPÍTULO 4 – DOMINGO DE REDENÇÃO

No dia seguinte, o plano era levantar acampamento e FUGIR o mais rápido possível. Porém, quando levantamos, o dia estava lindo, o clima no camping estava tranquilo, não havia música alta e resolvemos tomar café da manhã ali. Durante o café, como continuava tudo ótimo, decidimos que visitaríamos a Praia de Cima (a 12km), pra mudar de ambiente e desbravar a região.

– Pode invejar. Essa foi nossa tarde de domingo.

Foi maravilhoso! A praia linda, o mar quente e transparente, aproveitamos demais. No final da tarde, voltamos para o trailer e a paz seguia. Ainda improvisamos uns hambúrgueres que estavam o máximo.

No fim das contas, o domingo foi excelente. Finalmente conseguimos curtir a beleza do camping e a paz de morar um dia de frente pro mar. O dia acabou compensando o sábado tosco. 🙂

Apesar de tudo, além do lugar ser realmente sensacional, os donos são uns queridos! Gente boníssima, super educados, solícitos, dispostos a tentar mediar a confusão toda. Nos pediram desculpas várias vezes antes de a gente ir embora. E nos deram desconto de R$ 5,00 na cerveja artesanal feita por eles mesmos.

CAPÍTULO 5 – APRENDIZADOS
  • Fazer tripla verificação do mapa e endereço, estudando a rota para não ficarmos presos com o trailer.
  • Não ter medo de nos impormos, tirarmos satisfação e brigarmos para que as regras sejam cumpridas. Calculando riscos, e agindo de maneira racional (quando viável).
  • Limpar as placas solares (passamos umas horinhas com a geladeira desligada hahaha).
  • Em regiões turísticas abarrotadas de gente, não aceitar acampar em locais que não sejam campings de verdade.
  • Praias que permitem acesso de carro à faixa de areia atraem uma galera peculiar que não suportamos: gente que abre o porta malas do carro e mete o som pra fora no último volume desrespeitando leis, regras e o bom senso. Se você faz isso, saiba que não te suportamos. Perdão 🙂
SERVIÇO:
  • O estacionamento que ficamos não tem nome, mas para chegar é só ir até o final da Praia do Sonho. É o último estabelecimento. O local é lindo, no final da praia. Tem acesso para areia e acesso para trilhas na ponta do Papagaio. Nos cobraram R$70,00 pelos dois dias e ofereceram água e luz. Ambos com dificuldade e improviso. O atendimento foi ótimo, apesar de tudo. Gente super do bem e esforçada. O restaurante deles, no mesmo local, é uma graça. E a cerveja artesanal produzida por eles vale cada centavo dos R$15.00. Nos sentimos seguros. Não tem wi-fi. Não tem coleta de água servida nem esgoto. Se for pra acampar, recomendamos ir só depois do Carnaval, quando o movimento cai. Leve o tanque de água cheio.
  • A Ponta do Papagaio é um espetáculo. Uma faixa estreita de dunas separando duas praias que ficam uma de costas para outra: a do Sonho e a da Pinheira.
  • Não confie nas indicações de camping que estão no Google maps. Estão erradas!

 

– Já deu saudades (mas só do domingo hahahahha)

  • rolenaamerica

    Comentários resgatados do blog antigo:
    Karin 17 de janeiro de 2017 às 19:21
    Kkkkkkk… deu pra imaginar a Paula chateadinha!!!!
    Muito legal a experiência !!!

    >>> Resposta de rolenaamerica: 18 de janeiro de 2017 às 07:26
    “Chateadinha” hahahahahaha foi legal mesmo! no fim das contas, saldo positivo 🙂

    leandro 17 de janeiro de 2017 às 20:35
    Mais um post bacana…. sou representante comercial, viajo direto a semana toda, e vejo a péssima educação do nosso povo todos os dias. Bem desanimador, mas como meu pai fala, tudo sempre tem a parte boa, e de vocês foi o lindo domingo! Sucesso nas próximas!!!
    >> Resposta de rolenaamerica 18 de janeiro de 2017 às 07:27
    Obrigada, Leandro!! Pois é, é complicado mesmo… Mas é isso, no fim das contas o saldo foi positivo, e é essa parte que precisamos valorizar 🙂 Abraços!

    Maicon 18 de janeiro de 2017 às 00:07
    Essa questão de estilo quanto o local pra estacionar e qual música tocar é de difícil consenso.
    Aqui temos umas leis que proíbem carros na faixa de areia da praia e a multa é bem alta, mas o bom senso deveria ser medido.
    Eu tenho acesso a uma praia mais reservada com extensa faixa de areia até chegar a água, gostava de ir de carro, até mesmo pra dormir por lá e carregar as coisas, agora vou arrastando tudo na mão. Mas tem os jipeiros que pensam ser natural fazer zerinhos, disputar corda e cavar buraco na areia. A lei proíbe e continuam, mas por um pagam todos. Quanto a música, uma hora vc acostuma e até gosta, rs, mas o som no talo é de fud**…

    >>> Resposta de rolenaamerica 18 de janeiro de 2017 às 07:30
    Nós pensamos duas coisas: 1) Se há uma regra, ela deve ser cumprida; 2) Se não há regra, deve haver bom senso. A gente adora música, mas entendemos que o gosto musical varia muito de pessoa pra pessoa, então não obrigamos os outros a ouvir o que a gente ouve… Adoraríamos que as pessoas tivessem o mesmo respeito, mas é difícil. 😦 O problema, na nossa opinião, não é o carro na areia em si, nem a música em si, é o fato de as pessoas invadirem o espaço e o conforto das outras, como se ninguém mais existisse… Achamos isso meio egoísta. Mas enfim, é a vida, né?? Lição aprendida e segue o barco! Hahahaha

    Leandro 18 de janeiro de 2017 às 04:25
    Existe um app que mostra aonde parar com trailer e motorhome. Todos que param fazem postam. Aqui é bom , mas barulhento. Aqui seguro , legal etc ! Vi em algum blog. Não lembro agora. Vou pesquisar. Se achar mando aqui !

    >>> Resposta de rolenaamerica 18 de janeiro de 2017 às 07:31
    Jura??? Caramba, manda sim, por favor! Deve ser muito útil! Abraços

    >>> Resposta de Leandro Taffarel Argoud 18 de janeiro de 2017 às 11:37
    América do sul sobre rodas, Max ou Amanda responderam. Esqueci o nome na entrevista que assisti deles.
    ” Claro! O nome do App é IOverlander. Muito bom!”
    Ainda não tenho o trailer , hehe!
    Pesquisando bastante !!!
    Espero ter ajudado !!!

    Eduardo Sena 24 de janeiro de 2017 às 22:49
    “meu direito acaba quando começa o do outro”. Já vi tanto as pessoas falarem isso sem nem sequer alisar o real significado dessa frase feita. Na verdade, direitos dos indivíduos não acabam ou começam; deveriam, sim, coexistirem de forma harmônica, prevalecendo sempre o bom senso. Quando não se tem um mínimo grau de civilidade e quando alguns não sabem o significado do bom senso, existem as leis. No final o aprendizado de vcs foi válido. Grato por dividir conosco.

  • Lucas Paz E Rock

    Caramba! Agora eu entendi o motivo deles não aceitarem mais barracas. Lá pelo dia 16 de janeiro cheguei de Kombihome​, no mesmo estacionamento e, perguntaram se íamos usar barraca. A resposta foi que não. Afinal, nossa casa está montada dentro da kombi e, assim, eles aceitaram que ficassemos lá. Depois, conversando com eles, nos disseram “barracas nunca mais. Só incomodam!” Passamos dias maravilhosos e, olha que já voltamos umas 3 ou 4 vezes.

    Forte abraço.
    Com afeto, Sonho Viajante.

    • Nikolas Pacheco Müller

      Baah! Bom saber que não permitem mais barracas. Então agora está tranquilo por lá. Que massa. O lugar é bonito demais. Abraço, amigo!